INDEPENDÊNCIA FINANCEIRA E VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES

 UMA ANÁLISE DOCUMENTAL DE RELATÓRIOS INSTITUCIONAIS BRASILEIROS

Autores

  • Carolina Campos Afonso Universidade de Brasília - UnB

Palavras-chave:

DEPENDÊNCIA FINANCEIRA, VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES, POLÍTICAS PÚBLICAS

Resumo

Este estudo analisa a relação entre dependência econômica e violência contra as mulheres no Brasil. A relevância do tema se justifica pela persistência de altos índices de violência de gênero no país e pela carência de diagnósticos que articulem de forma integrada desigualdade econômica, cuidado não remunerado e vulnerabilidade à violência. Dados nacionais recentes evidenciam que a dependência econômica figura entre os principais fatores que dificultam o rompimento com ciclos abusivos, especialmente entre mulheres negras, mães solo e residentes em territórios periféricos. O objetivo do trabalho é analisar como a dependência econômica se articula com a violência contra as mulheres, utilizando como base a análise de dez relatórios institucionais nacionais produzidos entre 2023 e 2025. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, de natureza documental e exploratória, com análise sistemática de relatórios selecionados por critérios de relevância temática, atualidade e abrangência nacional. A análise foi organizada em três eixos: (i) renda e inserção no mercado de trabalho; (ii) articulação entre dependência econômica e violência doméstica; e (iii) limites e potencialidades das políticas públicas voltadas à promoção da autonomia financeira das mulheres. Parte-se da hipótese de que a independência financeira, ainda que condição necessária, não é suficiente para romper com ciclos de violência sem o suporte de políticas públicas integradas e redes de proteção. Os resultados indicam que, embora alguns relatórios — como o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios (2023), o Política e Plano Nacional de Cuidados – GTI Cuidados (2024) e o DIEESE Mulheres (2025) — reconheçam as desigualdades econômicas como causas estruturais da violência e proponham medidas articuladas, a maioria dos documentos concentra-se em dados estatísticos e respostas criminais, sem integrar a dimensão econômica às estratégias de enfrentamento. O estudo aponta a necessidade de aprimoramento dos registros institucionais e da formulação de políticas intersetoriais que articulem geração de renda, redistribuição do cuidado e equidade de direitos como estratégias centrais para a superação das desigualdades que sustentam a violência contra as mulheres.

Biografia do Autor

Carolina Campos Afonso, Universidade de Brasília - UnB

Doutoranda em Psicologia Clínica e Cultura na Universidade de Brasília (UnB). Mestre em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações pela Universidade de Brasília (UnB), Psicóloga (UniCeub) e especialista em Administração de Recursos Humanos (FGV), Planejamento e Gestão Empresarial (Universidade Católica de Brasília) e Terapia Cognitivo-Comportamental com Crianças e Adolescentes (UniRedentor).Servidora do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) desde 2009, atualmente coordena a área de Relacionamento com o Usuário na Ouvidoria-Geral, desempenhando um papel importante na melhoria da qualidade do atendimento institucional. Tem experiência em docência presencial e a distância, com foco nas áreas de Qualidade no Atendimento, Gestão de Pessoas, Ouvidorias Públicas, Lei de Acesso à Informação e Transparência Institucional, Gestão da Ética, Assédios Moral e Sexual e Gênero. Atua no combate à violência contra as mulheres, coordenando a iniciativa "Ouvidoria para Elas" do TJDFT, que oferece um canal seguro para denúncias de violência, discriminação e violação dos direitos das mulheres. Também atua no "Programa Elas", que oferece acolhimento e orientação a servidoras e magistradas vítimas de violência doméstica. É membra da Comissão de Ética do TJDFT desde sua inauguração em 2017 e, após o desmembramento, passou a integrar ambas as instâncias: a Comissão de Enfrentamento dos Assédios Moral e Sexual (CEAMS) e o Comitê de Governança e Gestão da Ética e da Integridade (COGEI). Além disso, também é membra da Comissão de Avaliação de Desempenho, da Comissão Multidisciplinar de Inclusão (CMI), do Comitê de Relacionamento com o Usuário de Serviços (CRELUSU) e do Comitê Gestor de Segurança da Informação e Proteção de Dados Pessoais (CGSI), demonstrando seu grande envolvimento e capacitação em diversas áreas do tribunal.Em 2019, publicou um artigo na revista Psychologia da Universidade de Coimbra, onde seu artigo foi o único não europeu da edição, e em 2023, publicou artigo na revista científica da Associação Brasileira de Ouvidores.Participou ativamente de eventos importantes sobre o enfrentamento do assédio no ambiente de trabalho, em capacitações para aprimorar o atendimento ao cidadão e em debates sobre gênero dentro do TJDFT. Entre os eventos ministrados sobre gênero, destacam-se: Grupo Focal de Gênero (2021 - diagnóstico organizacional), Palestra "Gênero - uma perspectiva" (2022), Webinar "Assédio Sexual no Trabalho - Perspectivas de Gênero" (2023), Webinar "Mulheres da Casa - Quem Somos, Nossas Conquistas e Desafios" (2024), Webinar "O Mundo Já Não é Tão Machista Assim. Será? Um Diálogo entre Machismo e Assédio" (2024) e Webinar "Vamos Juntas? Caminhos para a Sororidade Verdadeira."(2025).

Publicado

03.10.2025

Edição

Seção

Simpósio On131 - TRABALHO FEMININO E DIREITOS HUMANOS