INDEPENDÊNCIA FINANCEIRA E VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES
UMA ANÁLISE DOCUMENTAL DE RELATÓRIOS INSTITUCIONAIS BRASILEIROS
Palavras-chave:
DEPENDÊNCIA FINANCEIRA, VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES, POLÍTICAS PÚBLICASResumo
Este estudo analisa a relação entre dependência econômica e violência contra as mulheres no Brasil. A relevância do tema se justifica pela persistência de altos índices de violência de gênero no país e pela carência de diagnósticos que articulem de forma integrada desigualdade econômica, cuidado não remunerado e vulnerabilidade à violência. Dados nacionais recentes evidenciam que a dependência econômica figura entre os principais fatores que dificultam o rompimento com ciclos abusivos, especialmente entre mulheres negras, mães solo e residentes em territórios periféricos. O objetivo do trabalho é analisar como a dependência econômica se articula com a violência contra as mulheres, utilizando como base a análise de dez relatórios institucionais nacionais produzidos entre 2023 e 2025. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, de natureza documental e exploratória, com análise sistemática de relatórios selecionados por critérios de relevância temática, atualidade e abrangência nacional. A análise foi organizada em três eixos: (i) renda e inserção no mercado de trabalho; (ii) articulação entre dependência econômica e violência doméstica; e (iii) limites e potencialidades das políticas públicas voltadas à promoção da autonomia financeira das mulheres. Parte-se da hipótese de que a independência financeira, ainda que condição necessária, não é suficiente para romper com ciclos de violência sem o suporte de políticas públicas integradas e redes de proteção. Os resultados indicam que, embora alguns relatórios — como o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios (2023), o Política e Plano Nacional de Cuidados – GTI Cuidados (2024) e o DIEESE Mulheres (2025) — reconheçam as desigualdades econômicas como causas estruturais da violência e proponham medidas articuladas, a maioria dos documentos concentra-se em dados estatísticos e respostas criminais, sem integrar a dimensão econômica às estratégias de enfrentamento. O estudo aponta a necessidade de aprimoramento dos registros institucionais e da formulação de políticas intersetoriais que articulem geração de renda, redistribuição do cuidado e equidade de direitos como estratégias centrais para a superação das desigualdades que sustentam a violência contra as mulheres.